Riscos às metas ESG na Europa

Uma matéria publicada em 26/07 pela Agência de Notícias Reuters, me chamou bastante a atenção. Na época, Carolyn Cohn e Christoph Steitz comentaram que o retorno das empresas europeias ao uso do carvão como fonte alternativa de energia, era uma ameaça às classificações ESG das empresas do continente. O motivo alegado para esse retorno, seria o problema com o fornecimento de gás russo aos países da região, devido às tensões políticas provocadas pela guerra na Ucrânia.

Assim, a mudança de atitude dessas empresas teria um forte impacto nos seus índices ESG, frente a investidores ainda focados no atingimento das metas estabelecidas pelas iniciativas globais de sustentabilidade.

Berço das principais inovações tecnológicas na área de energias limpas, a Europa vê-se hoje a frente de uma encruzilhada socioeconômica: quanto pode-se comprometer das metas de emissões de carbono assumidas nos acordos globais, para que se possa garantir o fornecimento de energia vital às sociedades, sem inviabilizar o plano global de recuperação ambiental.

Em 2021, antes mesmo da guerra na Ucrânia, a Europa já enfrentava um grande desafio, que era a representatividade dos combustíveis fósseis na composição da sua matriz energética.  Cerca de 77% das necessidades de energia do europeu médio eram satisfeitas com petróleo, gás e carvão. A energia nuclear atendia 14%, enquanto os restantes 9% eram satisfeitos com fontes de energia renováveis. Hoje, essas participações permanecem ainda inalteradas, num momento em que empresas de geração de Biogás alemãs declaram que podem suprir até 20% do volume de gás adquirido da Rússia, através de gerações locais com Biomassas.

Mudanças nas políticas energéticas definidas para o atingimento das metas de redução das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, trará um retrocesso ambiental não somente na Europa, mas em todo o globo, pois sempre existirão motivos econômicos e sociais para que outras regiões do planeta também queiram revisar seus programas de tecnologias limpas. Será um efeito cascata de revisões.

A preservação do planeta não é um projeto individual, que possa ser adiado por tempo indefinido, à espera de condições ideais para a realização de investimentos sustentáveis. O planeta praticamente tem data definida para se tornar inabitável, caso os esforços de preservação não sejam executados de forma séria, correta e a tempo. Não podemos no render a percalços no meio desse caminho.

Hilton Nascimento
Hilton Nascimento

CEO da Worten, engenheiro, Eficiência Energética, Saneamento e Meio Ambiente.